quarta-feira, 2 de março de 2011

Andarilho


Suas roupas eram simples
Seus olhos cheios de ternura
Suas mãos traziam cura

Nobre andarilho
Se fez pobre e maltrapilho  

Era rei se fez plebeu
Rejeitado pelos seus
Conheceu muitas cidades
Pessoas de todas as idades

Nobre andarilho
Se fez pobre e maltrapilho  

Lavou os pés dos pecadores
Ceiou com pescadores
Fez do fraco forte
Se entregou até a morte

Trouxe vida trouxe luz
Carregou a nossa cruz
Seu nome era Jesus

Panfleto



Ele andava só,
Com sua pasta e palitó
Corria contra o tempo
Dava valor a cada cento

Então o menino com um Panfleto
Deixou um em sua mão
Mas o homem arrogante não lhe deu atenção
Pois dentre outras questões, falava de religião

O menino insistente e muito inteligente
Deu inicio a discussão
Falou de amor e cidadania
Não falou da instituição
Falou de pessoas e manias
De atitudes e virtudes
Falou daquilo que mudaria o destino da nação
Falou contra a corrupção
Falou de paz, falou de Cristo
Falou de salvação

O homem abismado compreendeu o recado
E foi para casa transformado.

Na praia




Andei pela praia
Meus pés descalços, molhados tocavam o mar
As ondas iam e vinham
E eu só queria pensar
Refletir sobre a vida
Encontrar a saída
Esquecer meus problemas
Resolver meus dilemas

Vi um homem ao longe sentado sobre a rocha
Parecia seguro, feliz
Tão diferente de mim
Cantava com alegria sobre as maravilhas que via

Como é feliz o homem que tem esperança
Que Põe sua confiança em Deus
E lhe entrega os caminhos seus

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Discussão de Relacionamento com o Sr Sedentarismo



Lá estava eu novamente naquele sofá de frente para ele.
Eu já conhecia aqueles olhos me fitando, aquele sorriso maroto de quem não sabe perder.
Tentei explicar que agora definitivamente era o fim, mas ele não acreditava em mim, não me disse, porém era isso que aquele sorriso dizia. Maldito sorriso!
Então finalmente ele confirmou o que pensei: - Você vai voltar. Já voltou outras vezes. Vamos continuar juntos.
- Não eu não vou voltar, e é isso que preciso que você entenda. Já estou decidida, agora é pra valer. Sei que foram muitos anos, mas não dá mais. Preciso te deixar. Preciso fazer isso por mim. É necessário.
Ele insistia
- Você ficou comigo até agora.
- Eu sei, mas eu tive minhas razões, falta de tempo, estudo, a correria de sempre...
- Eis ai os meus aliados. E você acha que será diferente este ano?
- Acho. Prometi que te deixaria em 2011. Corri , andei de bike e agora estou malhando.
- Você já tinha feito isso outras vezes. Mas sempre desiste.
- Eu sei!! Mas agora é diferente! (Eu já estava irritada).
- Sempre é...
- Não me venha com esse sorriso de novo!!
- Te dou dois meses para voltar a mesa do computador, aos doces na TPM ,ao sofá, e aos filmes nos fins de semana.
- Te odeio! (agora eu parecia uma criança emburrada). Ok, me dê dois meses. Veremos  o que acontece. Não tenho nada a perder.
A essa altura eu já estava na porta, de costas pra ele.
Enquanto ele continuava no sofá , rindo de mim, mas dessa vez ria alto.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Pertencer

"Porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso.
Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova de "solidão de não pertencer" começou a me invadir como heras num muro.
Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertenço. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado em papel enfeitado de presente nas mãos - e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força - eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles de água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho!"

Clarice Lispector

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Quem lhes mostrará o amor?


Ando pelas ruas
Vejo crianças nuas
Seus olhos perderam o brilho
Andam sozinhas nos trilhos
Mas você não quer se aproximar
Tem medo de lidar com isso
Prefere não ter compromisso

Elas estão pedindo um pedaço de pão
Vítimas da exploração
Querem um trocado
Vamos senhor, posso lhe fazer um agrado?
O que você quer de mim?
E o que você responde ?
Olhe nos olhos delas e tente fazer o discurso
De que não há mais recurso
Capaz de mudar o percurso de vidas que apenas começaram

Será que elas entenderiam?
Não!
Porque elas só querem um pedaço de pão.

Quem lhes mostrará o amor?
Quem ouvirá as palavras do Senhor?
Quando tive fome me deram de comer

Quando tive sede me deram de beber

È  isso que precisa fazer

Quem lhes mostrará o amor?

sábado, 5 de fevereiro de 2011

GODSPELL

Tempos que deixam saudade...

Gostaria de indicar um filme GODSPELL.
Conta a história de Jesus, sua convivência com os discípulos e seus ensinamentos, de maneira lúdica, dentro de um contexto Hippie.
Achei maravilhoso!
Conheci o filme por indicação do meu professor de Teatro (Tulius).
Fizemos uma adaptação e ficou muito bacana, bem divertido!


Quem quiser conferir : http://www.youtube.com/watch?v=BfFdGbdlyzI